segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Edmund Burke

A citação de hoje do DN é muito curiosa:  "A economia é uma virtude distributiva e consiste, não em poupar, mas em escolher".
O seu autor é Edmund Burke, politico inglês que apoiou a independencia das colónias americanas.
É considerado liberal e fundador do conservadorismo anglo-saxónico.
Não há detentores da verdade, mas parece importante esta ideia, no pressuposto de que a sociedade humana não consegue evitar a sua condenação eterna à condição de "produtor" e que o principal é distribuir bem.
E que economia não é poupar ...
Burke nunca ouviu falar no coeficiente de Gini.
Penso que seria uma boa ideia insistir no debate público deste indicador.
Até porque já dizia Adam Smith que a cada um segundo as suas necessidades.

A Oficina Agricola do Centro de Apoio a Deficientes do Alto Tamega

A noticia convida a acreditar na espécie humana.
O Instituto de Empreendedorismo Social (instituição sem fins lucrativos; principais membros: Fundação EDP e Santander Totta) premiou a Oficina Agricola de Apoio a Deficientes do Alto Tamega (terrenos da Camara Municipal de Boticas; gestão da Misericórdia de Boticas).
Ver em:
http://diarioatual.com/?p=8929

A Oficina Agricola permite a um grupo de 11 deficientes ligeiros produzir agricultura biológica.
Não apenas na região mas em todo o país, existem exemplos de iniciativas semelhantes.
A minha duvida é a mesma  de John Steinbeck nas Vinhas da Ira, em plena recessão de 1929.
Por que não há mais casos destes? e por que não é maior o apoio oficial (tantos jovens especialistas de serviço social  podiam fornecer a mão de obra de apoio).
Possível resposta à questão dois: com a diretiva de "menos Estado"e de redução das despesas públicas,  com o nível de endividamento e com os maus exemplos das entidades públicas que falham nos seus resultados, nenhuma entidade oficial toma a iniciativa.
E assim ficam por esse país fora hectares e hectares de terra que podiam ser trabalhados por pessoas com deficiência.
Claro que há sempre o risco de acusação de trabalho escravo.
Mas assim como estamos, numa sociedade que não põe a render aquilo de que dispõe porque não quer ou não pode investir, parece-me de maior risco.

A linha do Oriente vai a caminho do Aeroporto

A linha do Oriente vai a caminho do Aeroporto


O texto seguinte necessita de um esclarecimento.
Não se trata de uma folha de memórias da minha vida profissional.
É uma ficção construída a partir de alguns factos verídicos, que todavia não aconteceram da forma descrita nem com a cronologia indicada (a descrição rigorosa dos acontecimentos obrigaria a uma pesquisa rigorosa que eu não fiz e tornaria interminável a escrita de um livro de outras memórias), e de outros factos puramente imaginários.
Algumas personagens e  empresas são inventadas, assim como as ações, quando verídicas,  das personagens ou das empresas, podem não corresponder à personagem ou à empresa que no texto as executou.
Trata-se de uma técnica de escrita de ficção muito utilizada em  temática de sociedades religiosas, esotéricas, maçónicas ou mafiosas, com estritos fins de entretenimento.
É pois aplicável a todo o texto a velha expressão: “toda e qualquer semelhança com a realidade é pura coincidência”.



Verão de 2002.
A questão do tunel do Terreiro do Paço encontrava-se em resolução.
A tuneladora, esforçadamente até empenar o veio principal, furava desde o poço da Ameixoeira, a caminho do Campo Grande.
A posição da estação Ameixoeira era algo excentrica relativamente ao traçado que se pretendia, que era o de uma ligação ferroviária entre Odivelas e o Campo Grande.
Tinha sido o senhor presidente da junta de freguesia que exigira o desvio para a Ameixoeira, uma freguesia esquecida pelos lisboetas, apesar de ter qualidades para ser uma atração turistica, assim como Grisengen está para Viena de Áustria.
Afortunadamente, o desvio pôs o traçado de tal maneira que só poderia atingir-se Odivelas em viaduto.
Construir metropolitanos em viadutos é uma forma mais barata e rápida de o fazer.
Permite tambem nivelar o percurso e assim economizar energia.
Por isso poucas vezes se tem recorrido a este método.
Mas aqui teve de ser.
Entre a Pontinha e a Falagueira executava-se um trabalho em grande parte a céu aberto de grande interesse para os especialistas da geotecnia e construção de tuneis, considerando o grande teor de argila dos terrenos, instáveis sempre que chovia.
Falagueira era um nome demasiado rural e "ancien regime" para uma estação de metro.
Por isso se lhe chamou Amadora Este.
Para ser uma nova centralidade, nas palavras do senhor presidente da câmara.
E para dinamizar um investimento imobiliário em torno de um grande centro comercial a construir sobre a estação.
Era uma ideia inspirada no método seguido em Hong Kong, em que se entrega ao metropolitano a exploração das mais valias imobiliárias decorrentes do serviço de transportes prestado.
Mas com inovações próprias da mentalidade portuguesa.
O investimento imobiliário tinha o inconveniente de ir ocupar dos melhores terrenos agrícolas do país, só comparáveis aos barros vermelhos de Beja, por isso tinha sido ali estabelecida, à estrada dos Salgados, a estação nacional agro-zootécnica.
Mas que era isso comparado com o brilho do senhor presidente da câmara nos comícios das suas eleições autárquicas, e o entusiasmo dos seus apoiantes?
As coisas não correram de feição.
O contrato continha uma cláusula que dizia que o Estado se responsabilizava por eventuais prejuízos do investimento.
Mas se desse lucro, o lucro era do investidor.
Isso se soube quando o primeiro ministro foi apanhado pela comunicação social na casa de férias do investidor, numa ilha que ele, investidor, tinha comprado perto de Angra dos Reis.
O primeiro ministro gostava de férias no mar.
Já no ano anterior tinha vindo nas capas das revistas de atualidades sociais noutra ilha, dessa vez grega, em casa de um rico armador grego.
Por isso, discretamente, foram deixando cair o investimento no esquecimento, explicando o senhor presidente da câmara, pacientemente, que toda a organização do território estava a ser reequacionada numa perspetiva integrada para considerar as questões associadas ao fecho da CRIL que viria da Buraca, às ligações  à CREL e às vias rápidas para Sintra,  e a uma linha de trolei-bus que ligaria a estação da Reboleira a um novo e megalómano centro comercial, junto do Casal da Perdigueira.

Uma capela do século XVII , na colina de um dos solares da Pontinha,  que tinha sobrevivido ao terramoto, ameaçou desconjuntar-se com a escavação tão perto.
Mas foi possível estabilizar os terrenos e compor a capela. Por sinal com uns azulejos muito bonitos.

A administração do metro já tinha assim uma boa carteira de projetos e empreendimentos para apresentar ao governo e justificar a sua existencia.
Porém,  o termo do seu mandato só ocorreria daí a um ano, e sabe-se que o sucesso junto da opinião pública de uma empresa como o metropolitano pesa na qualidade dos futuros cargos públicos a atribuir aos militantes que lá tenham cumprido as suas missões.
Foi então pedido ao gabinete de orçamento e financiamento que elegesse um projeto suscetivel de obter fundos europeus e que tivesse visibilidade mediática.
Poderá parecer estranho ser um gabinete de financeiros a escolher os traçados das novas linhas ou expansões da rede do  metropolitano.
Os métodos de preenchimento das  matrizes habitação-emprego para esboçar os novos traçados estão ao alcance de qualquer pessoa com a escolaridade obrigatória, mas a distorção urbanistica existente na região de Lisboa (com a desertificação galopante), a sobreposição de competencias com, por exemplo, a autoridade metropolitana de transportes e as câmaras, a grande diversidade de disciplinas técnicas que é necessário integrar para construir uma linha nova, são fatores suficientes para recomendar maior tecnicidade ao exercício desta função.
E esta situação já era assim havia largos anos.
As administrações achavam que a tarefa mais importante era a de arranjar financiamentos e para isso não serviam os simples técnicos especializados em construir e operar metropolitanos.
É verdade que o departamento de traçados colaborava com o departamento financeiro, mas também a esses lhes faltavam as competencias de quem tivesse experiencia na exploração ou na manutenção decomboios.
De modo que o colega economista diretor do departamento teve uma amena conversa no ministério dos transportes e de lá veio com a ideia de que uma linha de metro que servisse o aeroporto teria financiamento assegurado, porque em todas as reuniões a que o senhor ministro tinha ido na Europa lhe diziam que as capitais tinham de ter um serviço ferroviário que as ligasse ao aeroporto.

O traçado foi, como de costume, debatido apenas no círculo restrito do departamento financeiro e submetidas ao presidente da administração  e ao administrador do pelouro das obras, em cada encruzilhada de decisão, as opções para o desenvolvimento do traçado.
A linha vermelha funcionava então entre a estação Alameda e a estação Oriente.
O objetivo era prolongá-la a partir da estação Oriente, eliminar o término com aparelhos de via, virar para poente numa curva com o raio de 250 metros, fazer uma estação em Moscavide, sob o viaduto, prosseguir para a Encarnação, para uma estação perto da praça da igreja, infletir para sudoeste e aportar à praça do aeroporto, construindo a estação de acesso ao aeroporto e o novo término.
No Verão de 2002 o novo traçado foi apresentado como candidatura aos fundos da União Europeia.
O senhor ministro dos transportes tomou o assunto como pessoal e foi aprovada a candidatura.
O argumento de suporte era fortissimo: tratava-se de servir o aeroporto de Lisboa, mesmo que se ocultasse o facto de que por razões de segurança aérea e de ruido urbano já havia planos para deslocar o aeroporto para fora de Lisboa.
Mas isso não era problema para a capacidade de empreendimento dos planeadores: a estação de metro do aeroporto serviria a nova urbanização emergente.
O facto de os terrenos do aeroporto terem sido expropriados para utilização como serviço público, o que implicaria chamar os herdeiros dos expropriados para negociação do empreendimento, não parecia preocupar os planeadores.
Nestas pequenas coisas se vê a utilidade e a importancia dos grupos fechados com ramificações em todos os organismos.
O facto dos administradores do metropolitano, os titulares do ministério dos transportes e obras públicas e os funcionários da burocracia europeia pertencerem ao mesmo grupo político facilitou a aprovação da candidatura.
No entanto, devemos notar que a afirmação acima, de que são importantes os grupos fechados, é uma violação grosseira dos direitos dos cidadãos à diversidade de associação e à liberdade de participação em trabalhos para o bem comum ou, se não quisermos esta expressão de cariz talvez romântico, em trabalhos de interesse público.

Parenteses para fundamentar juridicamente a afirmação anterior:
(Artigo 48.º da Constituição da Republica Portuguesa - Participação na vida pública:
1. Todos os cidadãos têm o direito de tomar parte na vida política e na direcção dos assuntos públicos do país, directamente ou por intermédio de representantes livremente eleitos.

2. Todos os cidadãos têm o direito de ser esclarecidos objectivamente sobre actos do Estado e demais entidades públicas e de ser informados pelo Governo e outras autoridades acerca da gestão dos assuntos públicos.)

Então, por influencia do artigo 48, ou porque já há uns anos se tinha este procedimento no metropolitano
de Lisboa, o novo traçado circulou por todas as direções do metropolitano para recolha de sugestões e pareceres, baseados nas respetivas experiencias. 
O parecer foi simples de dar.
Propus pura e simplesmente a reprovação do projeto, atitude nada conciliatória depois de tão grande sucesso na aprovação da candidatura aos fundos.
Chamei a atenção para que os projetos de traçados de linhas de metro, por razões de economia de energia e de vida útil do material circulante e dos carris e não deveriam ter curvas com um raio tão apertado, não deveriam ter desníveis tão grandes entre as suas estações (porque a energia que se consegue regenerar nos declives pondo os motores a funcionar como geradores é sempre menor do que a energia necessária para vencer os desníveis da rampa correspondente; a estação Oriente encontra-se abaixo do nível do mar e a etação Aeroporto quase à cota 100).
Considerei ainda que os terrenos junto de Oriente são aluvionares, isto é, lodos de rio, que a construção de tuneis neste terrenos é mais dispendiosa, que era preciso suspender (escorar) o viaduto de Moscavide para fazer uma estação por baixo, o que é uma boa maneira de gastar mais dinheiro na construção, quer era preciso fazer o mesmo com os dois adutores de água a Lisboa.
Que passar pela Encarnação era passar por uma zona de moradias, pouco populosa, quando Sacavem, a urbanização da Portela, Prior Velho, carecem de modo ferroviário.
Que, se o objetivo era ligar o aeroporto a Oriente, então a história do aeroporto tinhaa solução.
Isto de se ignorar a história é muitas vezes uma das principais razões de se ecolher uma má solução.
A avenida de Berlim não se chama de Berlim por causa disso, foi uma coincidencia, mas quando o aeroporto foi construido, em 1940, a doca dos Olivais funcionava tambem como aeroporto para hidro-aviões.
Então, supondo que um cidadão precisava de fazer a viagem New-York - Berlim (atendendo à guerra, não podia ser um cidadão qualquer, mas as linhas civis funcionavam, às vezes) , a primeira parte fazia-se de hidro-avião via Açores até aos Olivais. Aqui o passageiro apanhava um autocarro que o deixava no aeroporto da Portela onde apanhava o avião para Berlim.
Que tem isto que ver com o novo traçado da linha do Oriente?
Tem que a estação do Oriente está mesmo ao lado da doca dos Olivais, e que, se o passageiro queria ir de modo ferroviário urbano daí até ao aeroporto, seria simples: em viaduto ao longo da avenida de Berlim, eventualmente enterrando na praça do aeroporto para diminuir o desnível. E prolongando até ao Campo Grande em viaduto adjacente à segunda circular. Claro que nada obrigava a que o serviço do aeroporto fosse feito pela linha pré-existente. A ideia de uma rede de metropolitano é, quando necessário servir dois pontos, fazer como na geometria, definir uma linha. É da correspondencia nos cruzamentos das linhas que se forma uma rede. Com a vantagem de, se houver uma perturbação numa linha, ser  possível encontrar um caminho alternativo que não prejudique os compromissos dos passageiros. Infelizmente os planeadores institucionais sempre tiveram tendencia para achar que a rede é um conjunto de linhas serpenteantes com vida autónoma, e que o ideal seria andar com os passageiros às voltas sem eles precisarem de mudar de comboio. Também infelizmente os planeadores foram criando nós de correspondencia com percursos enormes entre uma linha e outra, a pretexto de pôr lojas no caminho dos passageiros.
A construção em viaduto fica mais económica. Numa primeira fase, o material circulante pode ser ligeiro e, portanto, mais barato (por razões de segurança estrutural, os viadutos devem serr dimensionados para material pesado,  não tanto mais do que 13 toneladas por eixo). Podem ser utilizados elemento pré-fabricados, o que acelera a execução. Pode evitar-se a propagação do ruido para os moradores através de barreiras acústicas. Entroncando nesta linha poderia desenvolver-se uma rede de modo ferroviário ligeiro em viaduto servindo todo o eixo longitudinal da Alta de Lisboa.

Tudo isto fez parte do parecer que deixou os colegas do departamento financeiro e orçamental muito escandalizados comigo porque mudar agora de projeto seria perder os fundos. Mas bastou-lhes ignorar o parecer e deixar chegar o Outono desse ano de 2002 para considerar aprovado o traçado.
Abençoado país em que se escolhe uma má solução porque há fundos.
Abençoado país em que há fundos para uma má solução.

E assim passámos à fase seguinte, a dos projetos do túnel e das estações para aquele traçado, desenvolvidos pelos colegas da empresa filiada do Metropolitano vocacionada para isso.

Entretanto, a administração terminara o seu mandato e o ministério quis dar um sinal de renovação que apagasse na opinião pública a má impressão do desastre do Terreiro do Paço, nomeando como presidente um técnico de prestígio entre o próprio meio da engenharia civil.
Como se diz nas artes perfirmativas, faz sempre efeito uma tirada de moralização dos procedimentos, de melhoria da gestão dos dinheiros públicos. Complementando a ação do ministério existem por trás as auditorias do Tribunal de Contas, garantindo assim aos cidadãos o escrutínio da aplicação dos dinheiros.
Infelizmente, apesar desta estrutura institucional, estamos mais ou menos ao mesmo nível da teoria do pelourinho medieval. Servia o pelourinho para expôr os prevaricadores aos olhos da população. Mas quem definia quem era prevaricador era o juiz, e o juiz podia ser o bom juiz ou o mau juiz, como se vê no fresco de Monsaraz recebendo umas galinhas como prémio. Donde recuando mais uns séculos caimos no pensamento romano de Juvenal "quem guarda o guarda?". Deixem-me dizer que é necessária a existencia da dualidade de ação e de escrutínio, quem faz o projeto e quem o verifica, quem executa a obra e quem fiscaliza, quem é responsável pela obra, o metropolitano, e quem examina as contas , o Tribunal de contas.
É necessário que o guarda de Juvenal guarde e que tenha outro guarda a guardá-lo. É necessário que existam o juiz e o pelourinho.
Mas não é suficiente, como se verá a seguir.
Não basta haver um orgão institucional para a ação e outro orgão para o escrutínio.
Dezasete séculos depois de Juvenal a humanidade encontrou um método para tentar resolver este dilema. Ficou nos manuais de história conhecido como método científico. Sistematizado  por René Descartes mas já aplicado com o nascimento da academia britânica das ciências: tudo o que cada  membro descobrisse era obrigado a pôr em comum para que do conhecimento participado e inter-ativo pudesse haver progresso.
Porém, a dificuldade de apreensão e  de aplicação dos conceitos e a força passiva da burocracia institucionalizada impedem que se resolvam as questões com a ciência na equação.
De que serve a dualidade se quem decidiu e quem fez o projeto do traçado não quis estudar alternativas, e se quem fiscaliza a aplicação dos dinheiros não sabe como se faz um projeto, como se consideram as disciplinas técnicas que contribuem para ele?
A solução é mesmo científica. As escolas técnicas têm capacidade para dotar os seus licenciados (agora diz-se mestres) com as competências suficientes para resolver os problemas, mas não combate a sua inibição em integrara as disciplinas especializadas E as formas de organização institucionais ainda menos combatem essa inibição.
Fica assim o espaço aberto para quem fez carreira nos grupos de influencia.
Com todos os riscos que isso tem, de afastar as competencias técnicas dos territórios das resoluções.
Volto a dizer: a solução é, para além da dualidade de orgãos que se controlem mutuamente, o exercício das competências técnicas de acordo com o método científico.

Mas como se disse, o critério de escolha do presidente da administração pelo ministério foi o do prestígio junto dos orgãos da classe técnica.
A primeira escolha não aceitou porque se incompatibilizou imediatamente com o indigitado vogal do pelouro das finanças. Estava-se no período de encerramento do inquérito sobre o desastre do Terreiro do Paço e por isso o ministério tinha de harmonizar com todas as forças políticas os elementos da solução.
A segunda escolha formou par com novo indigitado pelo principal partido da oposição para o pelouro das finanças.
O novo presidente  iniciou a sua função moralizadora  com um discurso duro dirigido aos colegas dos projetos e das obras.
"Esta é uma casa inquinada por uma prosmicuidade entre quem faz os projetos e quem faz a fiscalização. Há leis contra isso. Esta é uma casa cheia de esquemas".
Imagino que estas frases, publicadas em jornais, satisfariam o apetite de pelourinho dos leitores e elevariam o presidente ao pedestal de justiceiro.
Mas para quem estava no  interior da casa foi apenas um insulto.
Provavelmente o presidente quereria referir-se a ofertas de alguns grandes empreiteiros a fiscais de obra e até a alguns técnicos. Mas como poderia ele provar fosse o que fosse se ninguem passa um recibo a dizer "declaro que recebi um mercedes por serviços indevidamente prestados para fechar uma receção provisória"? Nem os próprios colegas podiam provar. E os procedimentos formais de conferencia de medições e de faturas eram cumpridos. Ainda aqui, a unica garantia contra qualquer foma de corrupção é a formação moral dos atores.
Mas as grandes empresas são assim. A onda de emoção é absorvida e a estrutura move-se em função dos objetivos. Mal e descoordenadamente mas move-se.

Os projetos da obra do tunel e das estações foram-se desenvolvendo, cm todas as dificuldades geotécnicas da zona, e o presidente introduziu uma inovação no Metro. A verificação dos projetos seria feita por uma empresa do exterior. Era de facto a primeira vez que tal acontecia e a fundamentação foi a mesma: combater a promiscuidade com o empreiteiro e entre projetistas e fiscais.
Foi selecionado um destacado gabinete de engenharia  dirigido por um influente  membro dos orgãos da classe técnica.
Entretanto, desenrolavam-se, lentamente, os processos de expropriações, desde hortas com poços até campos de futebol e de ténis, cada um pondo mais um atraso na obra.
Dois anos passaram.
O gabinete de verificação fizera as suas revisões. O processo de aprovação ambiental tinha seguido os seus tramites. O concurso publico para a execução da obra foi lançado.

Foi então que o presidente a conheceu. Ela era a principal acionista de uma das empresas que concorria e destacava-se na análise dos pormenores dos projetos. Foi ela que chamou a atenção para o inconveniente do tunel passar demasiado perto das caves das moradias da Encarnação, gerando ruido e vibrações de incomodidade à passagem dos comboios.
Era muito dificil resistir aos seus encantos. Imagine-se uma top-model com o curso de engenharia civil e a capacidade de um guru da Harvard Businness para gerir uma reunião . Aliás, o pai, o  fundador da empresa, tinha-a mandado para uma pós-graduação em Harvard plena de sucesso. 
O presidente concordou com a argumentação. Muito recentemente tinham sido realizadas medições de vibrações e ruidos em casas próximas da rede em serviço, e os resultados tinham sido desastrosos. Tinham sido ultrapassados os valores normalizados como toleráveis. O presidente não queria novas situações dessas.
Deu instruções para os projetistas rebaixarem 8 metros a posição da estação Encarnação.

Protestei quando soube. Fiz uns pequenos cálculos com os custos adicionais de exploração devido ao maior consumo de energia elétrica na iluminação da futura estação, na ventilação, nas escadas mecânicas e elevadores, por ter mais 8 metros de profundidade. Juntei os consumos adicionais de energia de tração por aumento do desnível com a estação do Aeroporto.
Achei, por ser da competência dos colegas de engenharia civil, que não devia fazer as contas aos gastos adicionais da escavação e da construção, embora fosse uma conta simples multiplicar o volume correspondente aos 8 metros pelas poucas centenas de euros do custo unitário por metro cúbico.
Esforço inútil. A decisão estava tomada e os projetos foram alterados.

A empresa dela não ganhou o concurso, mas as moradias que tinha comprado antes do processo e onde tinha já instalado alguns serviços valorizaram-se. Podem agora ser demolidas e, no seu lugar, erguer blocos de habitação e escritórios com parques de estacionamento subterrâneo de grande profundidade.
A troco de mais umas despesas de exploração do metropolitano de Lisboa.



Dalila e Sansão no S.Carlos - Continuação, ou o problema da centralização

Dalila, sedutora, continua a tirar a força a Sansão. Certamente de acordo com as orientações do Sumo Sacerdote.
Em Março do ano passado protestei contra a demissão do anterior diretor do S.Carlos  pela senhora ministra da Cultura  (http://fcsseratostenes.blogspot.com/2010/03/dalila-no-scarlos.html).
Em Setembro tentei mostrar que a própria programação do S.Carlos para 2010-2011 era devida em parte ao anterior diretor e não parecia má   (http://fcsseratostenes.blogspot.com/2010/09/fotografia-vinha-no-oje-de-dia-16-de.html  ;  http://fcsseratostenes.blogspot.com/2010/09/senhora-muito-inspirada.html).
Tentei também contrariar o apoio que a senhora ministra encontra no meio musical português, apesar de ser reconhecido que o anterior diretor contratou cantores portgueses e que estes sempre tiveram dificuldade em arranjar contratos no S.Carlos. Lamentei ainda que o novo diretor do Opart (fusão do S.Carlos e da Companhia Nacional de Bailado) não revelasse que assuntos graves tinha para discutir com a senhora ministra. O secretismo mata-nos. Além de ser uma grosseira violação dos direitos do artigo 48º da Constituição da Republica Portuguesa. Mas admiti que a senhora ministra pudesse ter razão.
Hoje, dois dias depois da demissão do senhor diretor do Opart, que continua a dizer que só revela as razões da demissão, para alem da falta de condições, à senhora ministra, acho sinceramente que a senhora ministra não teve razão, e está a piorar o problema da Cultura.
Há aqui um problema de gestão.
O S.Carlos não é um clube de futebol para se demitir o diretor como se fosse um treinador.
E um teatro de ópera não deve estar fundido com uma companha de  bailado. Porquê? Porque a natureza estruturou-se assim. O rendimento otimo de uma unidade física segue mais ou menos uma curva de Gauss. Os rendimentos são decrescentes a partir da zona de rendimento ótimo. O desenvolvimento dos microprocessadores a partir dos anos 70 do século XX permitiu a inteligencia distribuida em qualquer sistema de processamento.
Quer seja um teatro de ópera quer seja uma empresa.
O segredo está em distribuir a inteligencia (pôr a ciência na equação, como costuma dizer o professor Carvalho Rodrigues), sem que nenhuma inteligência se considere melhor do que o conjunto das outras.
Era isso que o senhor diretor da Opart, agora demitido, devia saber quando aceitou o cargo.
Era isso que os estruturadores das empresas de capitais públicos deviam aplicar quando estruturam as emprsas. As estruturas clássicas em pirâmide e fluxo rígido da informação e dos comandos geram ineficiência e inibição. Foi também isso que Ricardo Pais explicou, que a gestão do S.João do Porto não deve estar misturada com a gestão do D.Maria de Lisboa. Que as economias que se podem fazer com a fusão tambem se podem fazer com os teatros separados.
A gestão da  manutenção do  material circulante não deve estar misturada com a gestão da manutenção das infraestruturas fixas, como se insiste, porque apesar do congelamento das expansões, há uma infinidade de trabalho de melhorias para fazer.
Mas parece dificil, o panorama da Cultura em Portugal continua sob fortes ameaças, apesar do estudo de Augusto Mateus.
É uma pena. Não conseguirmos erguer um debate ativo, eficiente e participado, sobre estas questões.

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

A Lusitania hoje, 26 de janeiro de 2011

Com a devida vénia ao DN pelas notícias de hoje na Lusitânia e do mundo:

1 - A Lusitânia e o melhor dos lusitanos - Aconteceu o mesmo à Lusitania, associação inter-municipal para a promoção da região de Viseu-Guarda-Coimbra, que já tinha acontecido à agência para a promoção da Baixa-Chiado. Os lusitanos são assim, têm muita dificuldade em governar-se. É uma idiossincracia. Aparecem sempre uns lusitanos que acham que sabem como as coisas devem ser feitas. Não têm dúvidas e fazem uns ares muito sérios de quem não admite contrariedades. Nós lusitanos somos assim, temos dificuldade em ler o livro da Sabedoria das Multidões, o do trabalho em equipa com cada membro do grupo a pensar pela sua cabeça. Acreditamos em poções mágicas, em feiticeiros e em Asterixes. Não conseguimos interpretar o enunciado do problema e ouvimos pouco o que alguns lusitanos timidamente argumentam. A Lusitania vai ser extinta, depois de terem desaparecido uns milhões de euros e de não terem resultado os projetos bonitos e virtuais que foram aplaudidos há uns anos pela inovação e criatividade (Viseu digital, Museus virtuais, desenvolvimento sustentável, Dão digital, Prevenção florestal). Refiro-me à Lusitania agência inter-municipal. Os representantes dos vários municipios não se entenderam. Já dizia a minha professora de instrução primária. Os lusitanos sentavam-se à porta das cabanas e perguntavam a quem passava como se resolvia o problema; o mal não estava no método, porque é uma prospeção de dados; o problema é que quem respondia não dispunha de dados suficientes para a resposta e as respostas não eram debatidas entre si; faltava a todos o método científico.
2 - Ainda os blindados - agora parece decidido pelo senhor ministro, depois de rescindido o contrato (coisa estranha, parece-me que não há fundamento para a rescisão), que os dois blindados são para serem postos ao serviço; caso típico da idiossincracia lusitana, rescindir mas só parte; mais do que o caso dos submarinos alemães, que seguem mais o roteiro internacional do financiamento pela grande empresa alemã de consultores ou avaliadores de concursos para uma decisão favorável para ela; não é uma acusação, a Siemens, por exemplo, foi condenada por isso em 2000, nos USA; no ano seguinte o governo alemão fez aprovar legislação contra esses financiamentos, mas os representantes do fabricante dos submarinos talvez não tenham sido bem informados sobre a nova legislação.
3 - O segundo sputnik - que ternura a expressão encontrada por Obama para mobilizar os seus eleitores; assim como em 1957 o Sputnik estimulou o desenvolvimento da astronáutica dos USA, assim agora os USA devem investir mais na educação e na ciência. Cheguei a pensar que Obama estava a pensar numa nova URSS, as afinal a ideia é competirem melhor com os outros países e poderem vencê-los. Mas porque hão-de os USA quererem ser sempre os vencedores? Não podem ficar ex-aequo? Lembro-me de quando era miúdo que  havia muitos miúdos assim, a achar que tinham de ficar sempre em primeiro.
4 - Berlusconi - Talvez que a unica maneira de resolver este problema (que não seja esperar que Jupiter se lembre de chamar o alegre primeiro-ministro) seja a esquerda compreender que não nos devemos levar muito a sério. Ninguém nem nada merece tanta seriedade. O problema de Berlusconi não é ter dormido com uma moça de vida fácil de 17 anos. Se fosse esse o problema, a esquerda italiana quando esteve no poder teria legislado de modo a regular a industria do sexo, a regular o mercado do emprego  e a integração dos imigrantes na sociedade. Coisa que não fez. Então o problema de Berlusconi é o que Massimo Mateo, diretor da orquestra Divino Sospiro, disse a propósito da ópera Antígono, que Berlusconi é a anti-cultura mas ainda bem que a Itália tem cultura para onde as pessoas se podem voltar. O problema de Berlusconi é que não tem interesse nenhum em que a distribuição dos rendimentos da população seja mais equilibrada, que era por que a esquerda devia lutar; mas a televisão italiana fala mais na moça marroquina e na conselheira regional da Lombardia, antiga higienista oral de Berlusconi, Nicole Minetti.
Allora, me pare che la sinistra italiana, si veramente vuole il bene della gente, cosa che dovete fare è trovare un politico umanista di grande cultura e una consigliere per economie chiamata, da esempio, Maria Pregatore. Adesso si può battere l'avversario con le loro stesse armi.
5 - Forum de Davos -  alguns exitos passados: contribuição para a declaração greco-turca de 1988, o encontro Frederik de Klerk - Mandela em 1992, o acordo Simon Peres-Arafat  em 1994.  Sem querer menosprezar outras preocupações dos grandes pensadores (tema deste ano: normalização mundial), talvez que pudessem dar mais atenção à conjetura de Parta Daguspta (ver em
http://fcsseratostenes.blogspot.com/search?q=dasgupta ) , que é a de, no fundo dos grandes fracassos da economia mundial, estar a grandeza do que falta ainda às pessoas por esse mundo fora aprender para que  se entendam entre si.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Discordo III - o investimento estrangeiro e as exportações

Discordo quando dizem que neste país ninguém produz, ninguem trabalha, ninguém exporta, ninguem tem competitividade, ninguem consegue convencer os investidores estrangeiros.

E discordo com os seguintes fundamentos:

1 - Informação do Boletim de Inverno do Banco de Portugal de 11 de janeiro de 2011 - o crescimento das exportações em 2010 foi de 9%; prevê-se para 2011 e 2012 um crescimento anual da ordem de 6%; como é compreensível, prevê-se para 2011 uma contração da procura interna, da ordem de 3,6%, que sucede a um crescimento de 0,5 % em 2010. Variações portanto favoráveis para o PIB (exportações a crescer e importaões a diminuir)

2 -  Informação da AICEP (agencia para o investimento e comercio externo) através de Basílio Horta em 23 de janeiro de 2011  - "O investimento estrangeiro em Portugal cresceu 17,6%, atingindo, segundo as Nações Unidas, três mil milhões de euros em 2010. Pelo contrário, o investimento estrangeiro na Europa caiu 22,2%, com a Irlanda a registar uma descida de 66,3% e a Grécia de 38%"
http://www.dn.pt/bolsa/interior.aspx?content_id=1764033

3 - informações várias sobre o crescimento das exportações de: mobiliário (http://www.dn.pt/bolsa/interior.aspx?content_id=1758826), de torres eólicas (http://www.dn.pt/inicio/economia/interior.aspx?content_id=1758272&utm_source=feedburner&utm_medium=feed&utm_campaign=Feed%3A+DN-Economia+(DN+-+Economia , de sapatos (http://www.jornaldenegocios.pt/home.php?template=SHOWNEWS_V2&id=442865),  de vinhos  (http://article.wn.com/view/2011/01/13/exporta_es_de_vinhos_alentejanos_para_o_brasil_cresceram_48/)

Salvo melhor opinião, estes números deveriam ter sido amplamente debatidos à vista dos senhores eleitores telespetadores ao longo da campanha eleitoral, primeiro, para contrariar a ideia da necessidade de salvadores da pátria, que a pátria sabe tratar de si própria; segundo, para contrariar a ideia de que o fator trabalho contribui pouco para o rendimento nacional (tem é uma quota pequena na sua distribuição).
Podia ser que os cidadãos e as cidadãs não andassem tão preocupados com a problemática do "nervosismo dos mercados".
Assim como foi, dá-me ideia de que houve manipulação sob a forma de ocultação.

Não pretendo dizer que o mérito seja do governo ou de "personalidades", embora Basilio Horta e os seus colaboradores mereçam parabens pelo seu trabalho; nem que os resultados são suficientes, que não são; e o mérito é principalmente de quem trabalha nas respetivas empresas.

Pretendo apenas dizer que este é um dos caminhos; se quisermos pôr na equação a ciência ou, pelo menos, a capacidade de interpretação de factos e números.

Antigono de António Mazonni

O Centro Cultural de Belem apresentou nos dias 21 e 22 de janeiro de 2011 a ópera Antigono de Antonio Mazzoni.
Foi a terceira e ultima ópera cantada, e também estreada, no teatro da ópera do Tejo, mandada construir por D.José, antes de ser destruida pelo terramoto de 1755.
Nunca mais foi representada e, para o ser agora, foi necessário o empenho da orquestra Divino Sospiro, residente no Centro Cultural de Belem e a reconstrução pelo musicólogo Nicholas McNair da partitura , conservada na biblioteca da Ajuda.


Este é um caso curiosissimo, num país em que se acha mal gastar dinheiro com a cultura.
Apesar de tudo, existe nele quem trabalhe em cultura e obtenha resultados.
Pelo menos esperam-se resultados com a repetição desta produção em festivais como o de Innsbruck e a venda a televisões estrangeiras.
O que só confirmaria o estudo do professor Mateus, que a cultura é rentável.

Voltando ao Antigono:
1 - o rei D.José aplicou o dinheiro do ouro do Brasil em espetáculos de ópera e na construção de um teatro real (nacional); esta orientação era diferente da de D.João V,  que preferia empregar musicos instrumentais  (Scarlatti, por exemplo) porque os espetáculos de ópera eram considerados algo imorais pela sua mentalidade religiosa;
2 - choca a quantidade de dinheiro que veio do Brasil e foi utilizada para o entretenimento do rei, dos aristocratas e da hierarquia religiosa; porém a evolução da sociedade permitiu, enquanto a revolução francesa triunfava, o acesso à cultura da burguesia, e esse sentido de evolução, extensível a toda a população, é positivo;
3 - o diretor da Divino Sospiro, falando sobre esta reconstrução de Antigono, disse:
"Um povo que tem consciência da sua cultura, estará melhor. Talvez seja bom recuperar essa confiança. Sou italiano e tenho agora o Berlusconi no meu país, mas posso olhar para trás, para o Leonardo Da Vinci, por exemplo. Sei de onde venho e sinto-me bem, porque tenho uma cultura para onde me posso virar. Recuperar o nosso passado é também resolver alguma coisa do nosso presente".
Não é uma maravilha? Especialmente para quem acha que é melhor saber fazer contas do que distinguir o Tomas More do Tomas Mann;
4 - Se é assim, o Antigono é a metáfora do desaparecimento da sociedade rica dependente do ouro do Brasil, e a viragem para a cultura ao serviço do povo.
5 - Não estou a romantizar a cultura ao serviço do povo; vejam como canta Berenice na cena 11 do 1º ato:
"... as extremas misérias perturbam a razão. Se eu pudesse dizer quão infelizes somos, sei que moveria à piedade até os inimigos"; podia pensar-se que no século XVIII era uma situação vulgar e agora não devia ser, mas como as coisas estão parece atual
6 - Outra curiosidade: durante a reconstrução da partitura pôs-se a  hipótese do teatro da ópera do Tejo não ter sido completamente destruido; as paredes laterais e as empenas extremas e intermédias ter-se-ão mantido e... integradas no atual edificio do arsenal da Marinha; vendo no Google Earth, é uma planta com 120 metros de comprimento e 20 metros de largura, os lados maiores a dar para a rua do Arsenal e para o pátio da Marinha, com o palco a ocupar a maior parte do espaço, do lado do Terreiro do Paço; por baixo passa o Metro; é uma hipótese interessante, que confirma a outra hipótese: que houve limites ao método de reconstrução da baixa: demolição e construção geométrica; mas terá sido uma pena, ão ter reconstruido a ópera do Tejo; as fundações afinal terão aguentado as paredes; foi um problema de telhados e de pavimentos;
7 - E sim, posso garantir, a orquestra tocou mesmo muito bem, e os cantores foram ótimos.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

O estranho caso dos SMS, do portal, do email e do call center

As possibilidades tele-informáticas eram muitas e vistosas.
Os senhores do ministério da Administração interna gostam que a televisão faça reportagens com muitos computadores no campo de visão.
O sistema tão bem descrito no portal do eleitor falhou no dia das eleições.
Possivelmente porque se espera muito de uma coisa que funciona muito bem em condições normais, mas que não se sabe como funciona em situação de sobrecarga de procura.
Ou como se costuma dizer, é uma questão de dimensionamento como, por exemplo, quando se constroi uma urbanização sem prever as vias de comunicação para os modos de transporte dos habitantes.
Mas podemos estar descansados: o senhor ministro já exarou um despacho para um inquérito que apure as causas, de forma científica, exaustiva, pormenorizada e profunda  do mau funcionamento dos SMS; dos emails, do portal , do call center (palavras do senhor ministro); e diz com ar muito zangado que só depois de concluido o estudo falará sobre o assunto. Mas ficou-lhe bem apresentar desculpas.
Estariamos todos perfeitamente descansados se uma duvida atroz não tivesse ficado latente: será que a entidade que foi contratada para apurar a verdade, a Universidade do Minho, o foi de acordo com o código da contratação pública? Bem, não é bem esta a duvida, porque certamente que foi. A duvida é se a razão eventualmente invocada para um eventual ajuste direto, terá sido eventualmente o interesse público. Porque se o foi deixa-me noutra duvida, que é a de que eu, tendo sido funcionário de uma empresa que presta serviço de interesse público, nunca vi aprovado esse argumento quando entendi que tinha justificação. Realmente, ser-se ministro é outra coisa, ainda que a questão dos blindados nunca mais esteja esclarecida, que continue sem se ver na televisão uma campanha que ajude à mudança comportamental dos condutores portugueses, e que o nivel da criminalidade continue inaceitável.
Entre outras razões, porque estas coisas são encaradas com demasiado formalismo jurídico e, a avaliar pelos resultados finais,  pouca atenção à observação científica dos técnicos da polícia, da GNR, da ANSR, da Segurança.

O eleitor

O eleitor está sentado num banco de jardim em frente da sede da Fundação Gulbenkian.
Não foi votar nas eleições para presidente da república de janeiro de 2011.
O seu voto está então classificado, pelos senhores bem pensantes que sabem interpretar as leis melhor do que os cidadãos comuns, como de abstenção.
Sou capaz de estar a interpretar mal.
Como os senhores bem pensantes têm deficiente formação matemática e grande dificuldade de entendimento do conceito de zero, é provável que considerem que este eleitor não votou.
Pessoalmente eu acho que sim, que votou, votou marginalizado porque o puseram num banco de jardim com uma garrafa de cerveja na mão.
Se o escorraçam do exercício da democracia o que ele faz ou não faz tem de ser contabilizado nas contas da democracia.
Que foi marginalizado tambem está no letreiro que tem aos pés do banco e em que apela à caridade.
Depois da declaração dos direitos do homem ainda se apela à caridade?
Porquê? porque têm medo de que os investidores deixem a conomia desacelerar?
Não tenham.
O banco até está na Gulbenkian e a Gulbenkian até deixa estar o eleitor aqui; até deixava que o governo arranjasse formas de colaboração com os dinheiros da Fundação se com isso melhorasse o coeficiente de Gini.
Mas vamos que não votou.
Quantos como ele?
Tal como ele mais de metade dos eleitores.
E da outra metade e um pouco menos, há uma metade que foi ajudada pelos senhores bem pensantes a ser um bocadinho mais que metade para poder eleger o senhor presidente.
Porque, assim como marginalizaram fisicamente o eleitor da fotografia, também marginalizaram o pensamento de muitos cidadãos que entregaram o seu voto em branco.
Já desde 1982 que os senhores bem pensantes escreveram, com aquela capacidade de desprezo pela realidade pequenina quando comparada com a grandeza da sua sabedoria, que para as contas da mais de metade que define a eleição só entram os votos "validamente expressos".
Como se o silencio não fosse válido.
Como se o zero não tivesse a mesma existencia dos outros digitos embora não haja dedo para ele (deve ser por isso, dificuldade de abstração para compreender o conceito de zero e de significado do silencio e do branco).
Cerca de um quarto dos eleitores votou no senhor presidente.
Mas vamos à classificação por ordem decrescente de preferencia dos eleitores, com base nos resultados finais:

abstenção .................................................    53,37%
candidato 1 ...............................................................    23,16%
candidato 2 ...............................................................      8,64%
candidato 3 ...............................................................      6,17%
candidato 4 ...............................................................      3,12%
brancos ....................................................................      1,99%
candidato 5 ...............................................................      1,97%
nulos ........................................................................      0,90%
candidato 6 ...............................................................      0,69%
_________________________________________
total de eleitores inscritos (9.629.630) ........ 100,00%

Salvo melhor opinião, seria este o quadro a orientar as  grandes estratégias nacionais, pelo que significa um valor tão alto para a abstenção como falhanço de organização de uma sociedade.
Um valor tão alto significa que a pessoa não pôde votar porque é doente, porque é pobre, porque é assaltante, porque não é autónoma, porque não interpreta os dados.
A matemática faz falta às regras eleitorais.
Já daquela vez em que o matemático Charles Bordas propôs a regra proporcional na assembleia francesa Napoleão Bonaparte mandou dizer que não podia ser, que a dissolvia, não gostava de ouvir as minorias.
E Napoleão sabia porquê, porque também tinha formação matemática.
O ramo da matemática que se ocupa das regras eleitorais também já explicou a forma mais correta para uma eleição por sufrágio direto: cada eleitor dispõe de um conjunto de votos de valores diferentes que tem de distribuir por vários candidatos segundo a ordem da sua preferencia (é, é o método para as canções da eurovisão).
Ver em:
http://fcsseratostenes.blogspot.com/2009/08/homenagem-schulberg-e-governabilidade.html
Mas está bem.
Considerando que a iliteracia matemática em Portugal é um dado maioritário, não vamos discutir.
Mantenham os votos brancos de fora, apesar de eles e as abstenções estarem a ameaçar atingir valores insustentáveis.
Mas publiquem o que os eleitores dos votos nulos escreveram nos seus boletins.
Temos direito a essa informação, não temos?

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Discordo II - a contratação pela Alemanha de licenciados desempregados

Discordo. Parece uma ajuda. Uma mão que  a senhora Angela pretende estender a quem precisa.
Talvez seja uma ajuda.
Mas discordo.
Discordo porque formar um licenciado custa muito dinheiro.
Não é um negócio win-win porque é um investimento que o povo portuguès já fez e que vai render beneficios para um país estrangeiro, VAB.
Vai ser como no caso da Auto Europa. PIB aumenta mas PNB não com os lucros que têm de ser pagos à Alemanha.
Claro que é melhor que nada. Quando se está num barco a afundar, deve-se acionar a bomba de esgoto, mesmo que o caudal que ela é capaz de esgotar seja inferior ao caudal que o casco eseja a meter. É o que vem em todos os livros de segurança no mar. Mas vêm outras regras, nesses livros, que eu não vejo aqui aplicar. Uma delas é arranjar uma doca seca e reparar o casco. Custa dinheiro. Especialmente se se tiverem fechado alguns estaleiros nacionais, porque assim os estrangeiros ficaram sem concorrencia. É uma lei da marinha, agarrarmo-nos ao que é mais seguro, não ao que é mais barato.
Realmente é mais barato, depois de gasto o dinheiro com os jovens licenciados, enviá-los para a Alemanha do que investir em empregos em Portugal. Acham que vão deixá-los mandar para Portugal mais dinheiro do que o VAB que eles acrescentarem? Os irmãos Grimm terão algum conto sobre isto, a passar-se nas montanhas da floresta negra? Isto é, a parte correspondente aos desempregados desempregados gasta com a sua educação superior vai financiar a retoma da economia alemã. Somos ricos e beneméritos (e mal agredecidos, segundo os adamsmitistas).

domingo, 23 de janeiro de 2011

Discordo I - Bruce Willys e Rentes de Carvalho em dia de eleições

Discordo da mensagem do anúncio a mais um filme de Bruce Willys que passa na televisão: "todos precisam de um heroi".
Discordo porque desconfio de herois.
Desconfio de herois, pela mesma razão que os holandeses desconfiam de herois.
Quem testemunha sobre os holandeses é Rentes de Carvalho no seu livro "Com os holandeses", editora Quetzal:
http://www.ionline.pt/conteudo/37943-rentes-carvalho-criticou-os-holandeses-e-foi-best-seller

Os holandeses não são dados a gestos grandiosos, os holandeses não
gostam de esbanjar dinheiro, têm uma desconfiança inata pelos heróis, aborrem a bajulação mesmo
póstuma.

E eu confirmo. Estive 2 meses na Holanda. São frios, mas depois de uns dias de contacto são amigos.
Impressionou-me terem as cortinas nas janelas apenas da parte de cima, deixando que quem passe da rua veja o interior das casas. Porém ninguém olha. E depois, ás sextas feiras, tinham o comércio aberto até muito tarde, e fechado à segunda de manhã . Isto já foi há muitos anos, antes dos grandes centros comerciais abertos todos os dias, e a ideia foi rejeitada em Portugal, tal como janela sem cortinas a tapar tudo. O almoço eram duas sanduiches e uma maçã.

Talvez por isso é que a história económica da Holanda foi sempre de sucesso, mesmo durante o chamado período áureo do estado português, que em pleno século XVI se lembrou de abrir bancarrota (já os imperadores romanos sabiam que nãoera possível alargar as fronteiras da guerra para alem de certos limites).

Com a crise, podia o governo português contratar holandeses para gerir empresas portuguesas.
Era uma ideia.

Mas se falo assim é porque já fecharam as urnas destas eleições de Janeiro de 2011 e já podemos divulgar o que Rentes de Carvalho escreveu noseu blogue sobre o valor destas eleições:

http://tempocontado.blogspot.com/

Tambem me parece. Os senhores que mandam em nós acusam-nos de gastarmos acima das nossas posses, e até pode ter sido verdade (muito gostamos de exportar divisas para o Brasil, Jamaica e demais destinos turisticos), mas querem que compremos os produtos dos nossos amigos alemães, não é? Podiam pensar que por mais endividamento que Portugal tivesse não seria por isso que o Lehman Bros , a Merryl Lynch e a AIG davam o triste pio. E em que contribui eu para as chico-espertices dos gestores do BCP que foram impedidos de exercer cargos, e do BPN, e do BPP? E para as exportações de divisas para os "off-shores". Pode ser que os senhores que mandam em nós achem que não há problema em ofender os cidadãos da forma com estão a ofender.

Mas era também por causa da opinião de que já falei do major Vitor Alves. Que as pessoas estão melhor agora do que antes do 25 de Abril, mas as mentalidades é que não. E as mentalidades dão nisto: querem um heroi salvador, na antitese dos holandeses e depois respondem nas sondagens que se vivia melhor há 40 anos. Francamente, com o analfabetismo, a mortalidade infantil, a guerra colonial que se tinha, dizer isto numa sondagem até o empedernido colunista sociólogo de direita do DN aos domingos discorda, como eu. Faltará o 25 de Abril chegar às mentalidades.

ARCA - plano de urbanização

http://www.dn.pt/inicio/artes/interior.aspx?content_id=1758331&seccao=Arquitectura&page=-1
Com a devida vénia ao DN, comento o projeto ARCA, para a organização do território segundo o eixo longitudinal da Faixa de Gaza, criando um corredor multifuncional de transportes, distribuição de energia e água, acesso ao aeroporto internacional, reurbanização de áreas habitacionais.
O projeto é da autoria do gabinete Suisman Urban Design da Califórnia, a estimativa de custo da obra é de 7 mil milhões de euros e é mais uma tentativa para resolver a bem o conflito israelo-palestino e cumprir finalmente a resolução da ONU sobre a criação do estado palestino.
O modo principal de transporte é o metro de superfície e é aqui que me parece haver uma imperfeição: de acordo com os desenhos, os cruzamentos com o tráfego rodoviário não parecem ser desnivelados, o que aumenta os riscos de acidentes, aumenta os tempos de percurso e diminui a capacidade de transporte (numero de passageiros por hora) porque à aproximação dos cruzamentos os veículos ferroviários devem reduzir a velocidade por terem distancias de travagem maiores.
É o que confirma a experiencia dos metros de superficie do Porto e do Sul do Tejo.
Fica mais cara a obra com os cruzamentos desnivelados. Mas as vantagens do tempo ganho e dos acidentes evitados são os benefícios da tal análise de custos-benefícios que, em tempo de crise, há tendencia para esquecer. Ou dito de outra forma, quando há dinheiro para o investimento, pode investir-se e poupar-se dinheiro com os benefícios decorrentes do investimento; quando não há dinheiro nem investimento, vai desperdiçar-se dinheiro com formas menos eficientes de exploração; só os ricos podem poupar.
Votos de sucesso para o projeto ARCA.

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

No ano de 1995





No ano de 1995, em que a Austria e a Suécia entraram na União Europeia, a ABB, lembram-se, tinha uma fábrica de material circulante ferroviário na Amadora, ao pé da rua das Industrias; fabricava, ou montava, automotoras para o metropolitano, pendolinos para a ligação Porto-Lisboa, vagões de mercadorias para o Egito e para a Bósnia.
A orientação estratégica da empresa nessa altura era a de diversificar os seus fornecimentos e competir na área das infraestruturas.
 

A ABB concorreu por isso aos sistemas de sinalização ferroviária e e  
comando automático dos comboios na linha para a Exposição universal de 1998.
Não ganhou, apesar da sua proposta ser a mais equilibrada do ponto de vista do compromisso entre a qualidade técnica e o preço.






A forma como a proposta estava organizada também não ajudou; revelava pouca atenção dos técnicos suecos que não ajudaram os seus colegas portugueses a prepará-la, num tema em que não tinham experiencia. A tecnologia sueca tinha sido a primeira no mundo a instalar um sistema computorizado de sinalização ferroviária, em 1978, mas os rigores da legislação dos concursos públicos impediram uma discussão da proposta que a valorizasse.
Poucos anos depois de 1995, sobreveio a catástrofe naquela empresa.






Comprada em bolsa pela Bombardier canadiana, foi definida a estratégia de concentrar em Madrid as atividades na peninsula ibérica.
À boa maneira portuguesa, um grupo de técnicos portugueses viu nisso a oportunidade das suas vidas e quis ficar com a empresa da Amadora.









O jogo de bolsa que fizeram correu mal, a casa mãe bloqueou a circulação de informação com os servidores centrais, deixaram de se fabricar comboios e vagões e de nada serviu uma tentativa do governo de pôr a fábrica a produzir blindados para o exército.
Foi mais um exemplo do corte da capacidade produtiva portuguesa na metalomecânica pesada.





Mas em 1995 o ambiente era de esperança.
A ABB enviou-me um calendário com doze fotografias de mosaicos romanos.
De Conimbriga, à exceção de dois, retirados da Torre da Palma, os dos cavalos Hiberus e Lenobatis.
Conservei o calendário porque era uma boa metáfora para explicar o significado das tecnologias.
As tecnologias servem para as pessoas se sentirem bem. E é isso que se desprende das cenas, das figuras e das imagens geométricas dos mosaicos romanos.




Nem tudo é mau.
Não se terem perdido estes mosaicos é um facto espantoso.
Gosto especialmente de ver os olhos das personagens, muito abertos.
Também pode servir de metáfora para darmos uma olhadela à economia e aos indicadores das épocas.







No tempo de Conimbriga, a lei dos rendimentos decrescentes atacou implacavelmente a concentração urbana assente na produção esclavagista (poder-se-á dizer assente em baixa remuneração do fator trabalho?).
Conimbriga foi abandonada como as cidades maias por, atingido um estádio insustentável, não terem adotado estruturas de retribuição dos fatores de produção diferentes.




A solução escolhida foi a de diversificarem a estrutura produtiva, concentrando a produção de bens alimentares em vilas agrícolas descentralizadas.
Quando os "bárbaros" chegaram, as cidades eram ruinas.
Ruinas maravilhosas, mas ruinas.
Em 1995, a balança de pagamentos de Portugal estava ainda razoável. E há mais de 10 anos que estava equilibrada, com governos de várias cores.
  O que significava que o país fazia o que fazem as pessoas de bem. Vivia dentro das suas posses, sem que, no entanto, nos esqueçamos do afluxo de capitais dos fundos de coesão europeia.




Mas parece que em 1996 se agudizou a crise que já vinha de trás de provincianismo novo rico neste país, o país das auto-estradas e das stações de metropolitano sibaríticas; houve um acesso de suficiencia acultural, como se a cultura não fosse precisa na equação e como se os fundos europeus que não tinham faltado, e os empréstimos, fossem suficientes para dinamizar a economia.
E 1996 é o primeiro ano oficial da crise, em que a balança de  pagamentos se desequilibra e a dívida externa, que era de 8% do PIB sobe, sobe que sobe, até hoje, até aos 110% do PIB (não esquecer que a dívida externa não é só pública, também é privada, e que os governos foram de várias cores).




E pronto.
Chegados aqui, parece-me um pouco forçado estar a querer resolver os problemas da estrutura produtiva da Conimbriga atual da mesma maneira que os romanos fizeram, há 18 séculos, fugindo para o campo, ou então, chamando os professores de economia que ensinam as ideias denunciadas no filme Inside Job.




                  Mas, infelizmente, a democracia parece não ter mecanismos para prevenir estes acessos aculturais.


Com a devida vénia ao DN e ao seu colaborador da coluna "não há almoços grátis" , o professor de economia João César das Neves, donde retirei os dados sobre a dívida externa

O preço da gasolina

Custa habituarmo-nos à ideia de que não vai ser possível continuar a desperdiçar energia em acelerações dispensáveis, nos nossos carrinhos tão potentes, como até agora.
As contas seguintes são apenas hipóteses, dado não ter os elementos precisos disponíveis.

Seja o preço da gasolina dependente 50% da cotação do petróleo, 20% dos custos de transporte do crude, refinação e distribuição, 10% da cotação do euro em dólares, 10% dos impostos e 10% do lucro das gasolineiras.
P=P0 (0,5 pet/peto + 0,2 custos/custoso + 0,1 euro/euroo + 0,1 imp/impo + 0,1 luc/luco )

Hipótese 1 - a cotação do petróleo duplicou (aumentou 100%) mantendo-se os outros fatores constantes:
                          o preço da gasolina aumentou  0,5 x 100% = 50%
Hipótee 2 - os impostos duplicaram, mantendo-se os outros fatores constantes:
                          o preço da gasolina aumentou 0,1 x 100% = 10%
Hipótese 3 - a cotação do petróleo aumentou 10% mantendo-se os outros fatores constantes:
                          o preço da gasolina aumentou 0,5 x 10% = 5%
Hipótese 4 - os impostos aumentaram 10 % mantendo-se os outros fatores constantes:
                          o preço da gasolina aumentou 0,1 x 10% = 1%

É pena não ser bem divulgada a fórmula de cálculo e explicados os fatores de composição do preço. Era capaz de ser mais útil do que aqueles paineis com a indicação dos preços cripto-cartelizados. Até podia ser que os cidadãos concordassem com o aumento de impostos sobre os produtos petrolíferos para financiamento do metro (linha suburbana) do Mondego.
Este tipo de contas era muito bem explicado pelo professor Daniel Barbosa, quando demonstrava a fixação do preço da manteiga holandesa vendida em Inglaterra quando a libra se desvalorizava.
Mas pode tambem aplicar-se no cálculo das economias obtidas com cortes.
Por exemplo, se o peso dos salários num serviço é de 20% e há fatores de influencia mais elevada, então o esforço do corte deve ser aplicado nos fatores mais influentes para obter  maiores economias.
É como na economia dos consumos elétricos.
Tem de se ver primeiro a estrutura de consumos, para atacar nos fatores mais elevados.
É tudo uma questão de distribuição de fatores, por exemplo de rendimentos.
E aqui entra novamente o indicador de desigualdade de rendimentos ou coeficiente de Gini.
É por isso que me faz confusão ver economistas tão cotados como o senhor Trichet recomendarem com tanta enfase aos portugueses que reduzam os salários e flexibilizem os despedimentos.
Pensava que as contas já tinham demonstrado que o fator mais pesado nos desperdícios não era o trabalho, mas que se há-de fazer.
Provavelmente o filme Inside Job tem razão.
Os senhores economistas andam a ensinar coisas que sabem que não são verdade.
Ou então têm uma fé religiosa nas coisas que ensinam sem as submeterem à razão.
É uma hipótese.
Se fôr verdadeira, a hipótese, não é bonito para os professores de economia, pelo menos para alguns.


PS - Segundo informação de 7 de Março de 2011 a propósito da subida da taxa sobre os biocombustíveis de incorporação obrigatória no combustível (diretiva europeia), a contribuição desta para o preço final será da ordem de 5%. A contribuição dos impostos será superior à indicada na hipótese acima, e a da cotação do euro face ao dolar inferior.

Viva a Republica

Ao passar mais um aniversário da revolta da Marinha Grande, em 18 de Janeiro de 1934, dou um viva à Republica, que para isso também era a revolta, para haver Republica.
O imaginário português criou uma imagem sensual da república, e isso intimida muitos políticos da nossa praça, púdicos, moralistas bolorentos e demasiado senhores de si, que não estão preparados para lidar com uma republica assim, um bocadinho convencida, pouco preocupada em saber se a conta bancária tem saldo, frívola e estouvada quanto baste, mas elegante e bonita e, quando se tem capacidade para a levar a isso, capaz de pensar, de estudar, de aprender, de trabalhar, de se dar. Mas só quando se tem capacidade para a levar a isso.
Com a devida vénia a Tiago Pimentel, o autor do poster.

A guerra do golfo - 17 de janeiro de 1991

Há tempo que foi a primeira guerra do golfo, iniciada em 17 de Janeiro de 1991. Campo experimental das tecnologias GPS aplicadas à guerra. Morreram soldados americanos devido à incipiência dos primeiros equipamentos. Foi então que se criaram os conceitos de fogo amigo e danos colaterais. Enfim, parece ser pacífica, nos dias que correm,a opinião de que a principal motivação da guerra para o exército invasor era a energia do petróleo. Parecerá que haverá meios diplomáticos e económicos mais eficazes de obter energia e de denunciar as violações da democracia num país sem ser preciso invadi-lo. Ainda por cima, a invasão de um país gera pressões inflacionistas no país invasor. Deviam abster-se de guerras, os países.